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O POÇO DE SOLIDÃO

  Publicado em 1928, o livro O Poço da Solidão ( The Well of Loneliness , no original) causou grande alvoroço. Foi censurado na Europa e Estados Unidos por ser considerado obsceno  — porém, de sexo e promiscuidade, este livro nada possui. Trata-se simplesmente de uma história de amor. Então, por que tanta polêmica? Vocês já devem ter imaginado: é uma história de amor homossexual. Quando Anna Gordon, esposa do dono de uma grande e respeitada propriedade no vilarejo de Morton, soube que estava grávida, o casal entrou em êxtase de alegria. Chamariam o herdeiro de Stephen, e dariam-no a melhor educação que o dinheiro poderia pagar. Entretanto, Anna deu a luz a uma menina. Com leve decepção, o casal manteve o nome masculino à filha, e a educou como se fosse homem. Stephen passou a ter uma infância incomum para uma menina: praticava esgrima e equitação, usava roupas de menino e desenvolveu um pequena paixonite por uma das empregadas. O pai, percebendo as tendências homossexuais d...
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AS MENINAS DA ESQUINA

  As Meninas da Esquina é um livro, no mínimo, poderoso. Para mim, tem a mesma preciosidade de um O Diário de Anne Frank , porém, infelizmente, pouco comentado e divulgado. O livro é uma coletânea de diários de seis meninas brasileiras, todas entre 14 e 20 anos, em situação de extrema vulnerabilidade. Natasha, Britney, Milena, Yasmin, Vitória e Diana são todas adolescentes que, desde muito cedo, descobriram a misoginia do mundo e tentam intercalar suas vidas de prostituição infantil, abuso sexual, gravidez precoce, extrema pobreza, dentre outros assuntos delicados com as crises e sonhos "normais" e esperados que toda adolescente passa. Eliane Trindade, a jornalista que pensou o livro, coloca todo o panorama da vida dessas seis garotas durante o diário, tomando o cuidado para não revelar suas identidades. Aliás, fica claro, durante a leitura, que a revelação de seus verdadeiros nomes representaria um grande perigo para todas, visto que não é incomum que o crime seja um acon...

A COR PÚRPURA

  Acredito que, se fosse para definir A Cor Púrpura em uma palavra, seria, sem dúvida, "clássico". Mas não pense que definir um livro tão multifacetado como este de Alice Walker seja tarefa fácil. Lançado em 1982, foi vencedor do prêmio Pulitzer no ano seguinte. Nele, lemos as cartas escritas por Celie para Deus e para a irmã, Nettie, nenhuma delas jamais enviadas. Celie é uma jovem negra estudianiense, em pleno início do século XX, abusada sexualmente pelo pai, que de repente se vê obrigada a casar-se com o Sinhô_. Lá, separa-se da irmã, a qual lhe promete escrever — com a passagem icônica "'Write!'/'Nothing but death can keep me from it!',  em português livre: 'Escreva!'/ 'Só a morte vai me impedir!" " —, mas nunca mais lhe retorna. Então a pobre moça se aquieta, e aceita o seu destino de dona de casa obediente e calada, a fim de não ser morta, como  a irmã. Porém sua vida muda ao acolher Shug Avery, a amante de seu marido: uma m...

A CASA REDONDA

Este livro chegou até mim na forma de presente de meu antigo professor de Literatura. Foi, de fato, uma surpresa. Há tempos estava esperando um livro que me tirasse da zona da conforto mas - é claro! - jamais pensei que seria dessa forma. A gente nunca espera dos melhores livros. Trata-se de um tema difícil, entretanto, de imensa importância e relevância, tanto nos Estados Unidos (o país em que se passa o enredo), quanto aqui no Brasil: a violência contra a população indígena. Aliás, mais especificamente, a violência contra a mulher indígena. O protagonista é um pré-adolescente de 13 anos chamado Joe Curtis, que, num trágico domingo de 1988, descobre que sua mãe, Geraldine, havia sido vítima de um estupro brutal, dentro da reserva indígena em que moram, na Dakota do Norte.  Traumatizada, isola-se dentro de seu quarto, sem conseguir falar sobre o que aconteceu. O pai de Joe (e marido de Geraldine) é um juiz tribal e, furioso, tenta fazer de tudo ao seu alcance para fazer justi...

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