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A COR PÚRPURA

 


Acredito que, se fosse para definir A Cor Púrpura em uma palavra, seria, sem dúvida, "clássico". Mas não pense que definir um livro tão multifacetado como este de Alice Walker seja tarefa fácil. Lançado em 1982, foi vencedor do prêmio Pulitzer no ano seguinte. Nele, lemos as cartas escritas por Celie para Deus e para a irmã, Nettie, nenhuma delas jamais enviadas. Celie é uma jovem negra estudianiense, em pleno início do século XX, abusada sexualmente pelo pai, que de repente se vê obrigada a casar-se com o Sinhô_. Lá, separa-se da irmã, a qual lhe promete escrever — com a passagem icônica "'Write!'/'Nothing but death can keep me from it!', em português livre: 'Escreva!'/ 'Só a morte vai me impedir!"" —, mas nunca mais lhe retorna. Então a pobre moça se aquieta, e aceita o seu destino de dona de casa obediente e calada, a fim de não ser morta, como  a irmã. Porém sua vida muda ao acolher Shug Avery, a amante de seu marido: uma mulher extravagante, esbelta e — o mais assustador e maravilhoso, aos olhos de Celie — livre.

O romance, centrado em uma narrativa de alguns pacatos personagens, aborda temas profundos e diversos, como racismo, machismo, amor, amizade, sexo, religião, neoimperialismo, além do meu favorito: a lesbianidade.

Sim, Celie, ao longo do livro, descobre-se lésbica, apesar de nunca usar esta palavra. Fala-se em "amor entre mulheres", mas sem deixar sombra de dúvida do tema. Infelizmente, é um pedaço da história geralmente ocultado das sinopses, das análises e inclusive da sua adaptação cinematográfica (a qual veremos logo em seguida). Entretanto, o assunto é tão explícito ao decorrer dos capítulos que não há motivo para desconsiderar A Cor Púrpura um grande marco na literatura lésbica, sobretudo por ter uma protagonista, além de homossexual, negra.

Facilmente podemos enquadrar o romance de Walker como essencial para a literatura mundial. O estilo delicado da autora nos faz devorar o livro em algumas horas. Você chora, ri, vibra. Toda sua alma recebe o livro com ternura desde suas primeiras palavras :"Querido Deus,...".  Certamente, fica entre meus livros favoritos de todos os tempos.


Alice Walker nasceu em 1944, na Geórgia (EUA), e é romancista, poetisa e ativista pelos direitos humanos. É a oitava filha de agricultores, aluna exemplar, acumulou várias bolsas de estudos e graduou-se em Artes, em Atlanta, onde conheceu Martin Luther King Jr. Já assumiu relacionamentos com homens e mulheres, e hoje mora na Califórnia. É reconhecida mundialmente pelo seu romance A Cor Púrpura.

 


A Cor Púrpura também ganhou sua versão nos cinemas. Dirigido por Steven Spielberg, e interpretado por ícones como Whoopi Goldberg e Oprah, estreiou em 1985. Recebeu 10 indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Filme, porém, infelizmente, sem levar nenhuma estatueta. Assim mesmo, é uma obra imperdível e de grande marco ao cinema internacional

Dados Técnicos:

Nome: A Cor Púrpura
Nome original: The Color Purple
Autora: Alice Walker
Editora: José Olympio
Ano: 2016
Páginas: 335


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